“Aceitei o convite para mostrar como é a vida de um cadeirante, sem estigmas. Na maioria das novelas, a deficiência física é um castigo para o vilão, ou, no final, o mocinho precisa voltar a andar para viver feliz”, argumenta Flávia, uma das fontes de inspiração do autor.
“Sou o referencial técnico do Maneco. A história da Luciana é também a minha e a de várias mulheres cadeirantes ou não”, explica ela, que, na última segunda, acompanhou a gravação da cena em que Luciana está no hospital e diz não sentir braços nem pernas.
“No estúdio, eu me emocionei e perguntaram se era por lembrar da minha história, mas me emocionei foi com a interpretação dela”, conta a jornalista, que ainda ajuda a atriz na elaboração da personalidade de Luciana. “Eu a ajudo a se posicionar na cadeira, mas também na questão da feminilidade e da sexualidade.A personagem passará por um momento de negação, que acha que daqui a pouco vai ficar boa. Depois a revolta, porque é mimada. Se angustia com a situação, até descobrir seu potencial e se reencontrar”, enumera Flavia, em total sintonia com Maneco. “O papel está nas mãos de uma grande atriz, que faz um trabalho primoroso. Luciana terá momentos de total depressão e outros de reação, lutando contra a fatalidade”, diz o autor. Depois de vencer as etapas acima, Flavia enfrentou o despreparo médico ao engravidar. Um deles a desaconselhou a seguir com a gestação. Hoje, ela é mãe de Mateus e Mariana, de 2 anos. “Essa é a maior realização da minha vida. Mas encontrei médicos mal informados. Muitas mulheres cadeirantes sequer são examinadas por seus médicos, o que aumenta os índices de câncer de colo de útero”, denuncia.
Fonte: O Dia Online (05/11/09)


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